sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Rua Sésamo

Realmente o mundo já não é o que era.
Fiquei estarrecido ao ler uma notícia que afirma que o DVD da Rua Sésamo lançado nos Estados Unidos tem uma referência de que «O conteúdo é para maiores e poderá não ser apropriado para crianças do pré-escolar».
Eu lembro-me de ver todos os episódios e não me lembro de ter ficado afectado. Ou se calhar fiquei. Não sei.
Só houve uma cena que me ficou na retina e que ainda hoje vem em conversa com alguns amigos. era uma cena em que uns belos animaizinhos cantavam em uníssono "Tenho orgulho em ser uma vaca". Bastante actual por acaso.
Mas parece que hoje as nossas criancinhas estão muito sensíveis. Ou elas ou os paizinhos que para justificar as suas incapacidades de educar e proteger os filhos se viram contra este tipo de situações.
Ora vejamos o que se passa: para os produtores actuais uma cena em que uma menina se faz "amiga" de um desconhecido e este convida-a a ir comer leite e bolachas à sua casa é uma situação que hoje representa um comportamento não aceitável. Porquê? Será que todos somos pedófilos ou será que em 1969, quando foi emitido este programa, era mais seguro? Será que não havia pedofilia? Nessa altura, ao contrário de hoje, não havia leis que protegessem as crianças e nem sequer era crime o abuso sexual de menores.
Outra situação, e esta é para rir, está relacionada com uma cena em que o Egas pede a Becas (lembram-se?) que lhe passe o sabonete enquanto está no banho. Desculpem? Será que as crianças só por verem estas imagens vão desatar a tornar-se homossexuais. No meu tempo só se percebia esta piada muito mais tarde.
Aqui neste caso existe uma contradição enorme em relação a outros desenhos animados. O Egas e o Becas não podem dar um ar homossexual mas o Lucky Luke pode ser "abichanado" com uma florzinha na boca em vez do cigarro. Realmente.
Mas até onde vai este radicalismo. Vai até a descaracterização de uma personagem como o mítico Mostro das Bolachas. Então não é que agora já não come bolachas mas sim cenouras. Porra.
Só faltava virem-me dizer que realmente a Abelha Maia não andou com o Calimero.
Era só o que faltava.

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